Durante décadas, o senador Jayme Campos esteve entre os principais protagonistas da política mato-grossense. Ex-governador, ex-prefeito de Várzea Grande, ex-senador e atualmente em seu segundo mandato no Senado, Jayme construiu uma carreira baseada na capacidade de articulação e no peso de seu grupo político.

Na quinta-feira (30), porém, o cenário mudou de forma contundente.

Em uma convenção marcada por embates públicos, votação secreta e troca de acusações, Jayme sofreu uma derrota interna que vai além do resultado numérico. Ao perder por 30 votos a 19 para a tese defendida pelo presidente estadual do União Brasil, Mauro Mendes, viu seu projeto de disputar o Governo de Mato Grosso praticamente ser desmontado dentro da própria legenda.

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A derrota mais significativa da era União Brasil

A convenção discutia dois caminhos.

O primeiro era lançar candidatura própria ao Palácio Paiaguás, tendo Jayme Campos como candidato.

O segundo era manter a aliança construída por Mauro Mendes em torno da candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta, filiado ao Republicanos.

Venceu a segunda opção.

O placar de 30 a 19 revelou que a maioria dos convencionais preferiu seguir a estratégia política desenhada por Mauro Mendes, deixando Jayme isolado justamente dentro do partido onde esperava construir sua candidatura.

De favorito a derrotado

O resultado chamou atenção porque, durante semanas, Jayme afirmava possuir votos suficientes para vencer.

Aliados chegaram a divulgar que o senador teria entre 31 e 35 votos garantidos.

A expectativa era tamanha que deputados próximos ao grupo defendiam, inclusive, que sua candidatura fosse consolidada antes mesmo da convenção oficial.

Na prática, porém, ocorreu exatamente o oposto.

Em vez da aclamação esperada, Jayme saiu derrotado por margem confortável, revelando que parte importante da estrutura partidária migrou para o projeto liderado por Mauro Mendes.

Um divisor de águas

A derrota não encerra a carreira política de Jayme Campos, mas representa um dos episódios mais simbólicos de sua trajetória recente.

Depois de décadas exercendo influência decisiva na política mato-grossense, o senador experimenta um cenário incomum: ver seu projeto barrado dentro da própria casa política.

Mais do que uma simples votação partidária, a convenção do União Brasil redesenhou o equilíbrio de forças da legenda e consolidou uma nova hierarquia interna. O episódio evidencia que, ao menos neste momento do processo eleitoral, o comando político do partido está concentrado nas mãos de Mauro Mendes, enquanto Jayme Campos deixa a convenção com o maior revés interno de sua carreira recente, o famoso banco de reservas.